A internalização dos exames laboratoriais, mesmo que apenas dos mais básicos, é uma tendência irreversível. As clínicas e hospitais veterinários acabam ganhando agilidade nos resultados (e, consequentemente, no diagnóstico), aumentam o padrão de qualidade por trabalharem com amostras mais frescas e que não enfrentam processos logísticos (grandes, no caso do interior), e conseguem desenvolver um setor com altíssima rentabilidade.
Após a decisão de abrir seu próprio laboratório veterinário e analisar todos os aspectos que envolvem a escolha, chega uma grande dúvida. De que forma devo adquirir os equipamentos: comodato, aluguel ou compra?
Este impasse é muito recorrente e pode ser definitivo para o sucesso ou insucesso do projeto. Existem muitas particularidades, prós e contras para cada modalidade. Vamos conhece-las?
Comodato
Esta modalidade consiste na cessão integral dos equipamentos e o fornecimento dos reagentes para uma rotina previamente acordada. A empresa fornecedora encaminha uma quantidade de insumos proporcional ao acordo feito.
Após isto, o laboratório paga um valor fixo por exame executado e mensalmente a rotina é reavaliada. Caso a quantidade de testes fique abaixo do mínimo pré-acordado, o laboratório pagará o valor total já definido. Caso fique acima, pagará o total acrescido dos testes extras.
Como é de se imaginar, a viabilidade de um comodato real é bem específica e quase sempre se condiciona a uma quantidade muito grande de exames. Para a empresa fornecedora, em outros termos, o valor gerado pela alta quantidade de testes é o que cobre a cessão do maquinário, dos insumos e ainda gera um bom lucro.
Por estas razões, o verdadeiro comodato de equipamentos para diagnóstico só ocorre no mercado humano, em laboratórios com altíssima rotina diária (acima de 1000 hemogramas por dia, via de regra). Além disso, normalmente os equipamentos comodatados são usados.
Na medicina veterinária, por limitações naturais de rotina (muito menores que no setor humano), não existe um comodato de verdade, apesar de ser um jargão comum em nossa área. Ao contrário do que se anuncia, na veterinária, os comodatos que observamos são, na maioria das vezes, aluguel – em que o cliente paga um valor fixo por mês e paga os insumos à parte.
Desta forma, vale a pena redobrar as atenções na hora de ler um contrato de comodato de equipamentos veterinários. É bastante possível que a modalidade de aquisição seja alguma outra.
Aluguel
O aluguel de equipamentos veterinários é uma prática mais comum e simples. A empresa cede a máquina por um valor mensal de aluguel e os insumos são adquiridos à parte pelo cliente.
Normalmente o valor do aluguel é menor do que a mensalidade da compra de um produto novo. Isto, atrelado à comum prática de compra futura do equipamento, soa como algo ideal ao médico veterinário. E é aí onde devemos prestar muita atenção e tomar os cuidados necessários.
Isto porque há algumas particularidades que tornam o aluguel (comumente chamado de comodato em nosso setor) uma escolha arriscada, como as chances de os equipamentos serem remanufaturados e o altíssimo custo por teste. Para cobrir o baixo valor do aluguel, os insumos tendem a custar muito mais do que em qualquer outra modalidade de aquisição.
Vale a pena atentar-se aos detalhes, pois algumas empresas condicionam seus testes até mesmo a tubos específicos (que costumam ter o custo individual maior que o custo total de um exame em outras modalidades de aquisição).
Em termos práticos, um hemograma em um analisador hematológico veterinário de 5 partes não costuma passar de R$ 5,00. O mesmo teste, em modalidade de aluguel, custaria entre R$ 20,00 e R$ 30,00 – ou seja: um valor de 4 a 6 vezes maior que o valor praticado na modalidade de compra.
Lembra da compra do equipamento sobre a qual falamos anteriormente (normalmente após de 5 anos de aluguel)? Ela já começa a ser comercialmente mais entendida, não é verdade? Com a diferença de R$ 15,00 a R$ 25,00 por cada teste, no final de 5 anos, o valor somado já seria suficiente para a aquisição de um set completo de equipamentos novos para o diagnóstico – isto, sem estar vinculado “pelo resto da vida” a um custo por teste tão alto (e R$ 15,00 a R$ 20,00 de lucro a menos por cada novo teste que vier a ser feito).
Outro ponto importante a ser ressaltado na modalidade aluguel está na forma como as manutenções são tratadas. Quando tratamos de manutenção preventiva, temos que entender que ela deve ser feita anualmente para garantir o bom funcionamento e durabilidade do equipamento, além, é claro, da acurácia dos exames.
O apropriado é que esses procedimentos sejam feitos pessoalmente. Nele, devem ser trocados tubos de plástico (de desgaste natural), filtros (para garantir a limpeza do equipamento), além de revisão e lubrificação dos componentes mecânicos.
No aluguel, as preventivas presenciais simplesmente não ocorrem. O resultado disso é um desgaste natural dos componentes do equipamento, em especial após os primeiros anos de uso. Em se tratando da compra após 5 anos de aluguel, este é, ainda outro grande alerta. Por não haver as preventivas no tempo indicado, as intercorrências complexas e de mais alto custo começam a ocorrer justamente no fim do contrato.
Normalmente, as empresas que trabalham com aluguel “vendem” seus pacotes de manutenção após o período do contrato por valores entre R$ 600,00 a R$ 1.000,00 por mês. Um vínculo que se estenderá por enquanto o equipamento for utilizado e que custará, provavelmente, mais que o valor do aluguel prévio.
“E se eu não quiser pagar pelas manutenções preventivas?”. Bem, neste caso pode ser ainda pior: quando os problemas ocorrerem eles podem vir em sua forma mais grave (e cara), necessitando de manutenção corretiva. É uma situação delicada de se estar e, portanto, merece um olhar cuidadoso e bastante deliberação.
Compra
Uma frase que resumiria muito bem a compra de equipamentos para diagnóstico veterinário é: alto investimento inicial x melhor custo benefício.
Como já dizemos anteriormente, o setor de diagnóstico in vitro de uma clínica ou hospital representa um de seus maiores lucros, a depender da modalidade de aquisição. Portanto, não podemos esquecer que o maquinário para diagnóstico (hematológico e bioquímico) gera seu próprio pagamento.
O payback (quando o investimento é coberto pelo lucro gerado) costuma acontecer em prazos curtos (para grandes rotinas) e médios (para rotinas pequenas). Após este período, quando não há mais a mensalidade do pagamento pelo maquinário, os ganhos são altíssimos. Não só financeiro, como em qualidade.
É importante, é claro, calcular o custo por exame, em especialmente se considerarmos o melhor exame possível (o realizado com o uso dos reagentes da fabricante do equipamento e de uso veterinário – assim sendo, a única forma de garantir os resultados previstos em fábrica).
Outro aspecto que deve ser analisado é o suporte técnico e científico da empresa fornecedora. Ao adquirir um produto novo, deve-se considerar um casamento entre as partes, pois se é esperado que os equipamentos, se robustos, durem por muito tempo, trazendo ainda mais qualidade, excelência e lucro a longo prazo.
Com as modalidades de aquisição já mais claras, entenda aqui que tipo de analisador hematológico e bioquímico vai ser o mais recomendado à sua realidade! Ah, e lembre-se: se quiser falar sobre diagnóstico com quem mais entende, basta contatar nossa equipe pela aba de contato!