Aluguel
O aluguel de equipamentos veterinários é uma prática mais comum e simples. A empresa cede a máquina por um valor mensal de aluguel e os insumos são adquiridos à parte pelo cliente.
Normalmente o valor do aluguel é menor do que a mensalidade da compra de um produto novo. Isto, atrelado à comum prática de compra futura do equipamento, soa como algo ideal ao médico veterinário. E é aí onde devemos prestar muita atenção e tomar os cuidados necessários.
Isto porque há algumas particularidades que tornam o aluguel
(comumente chamado de comodato em nosso setor) uma escolha arriscada, como as
chances de os equipamentos serem remanufaturados e o altíssimo custo por teste.
Para cobrir o baixo valor do aluguel, os insumos tendem a custar muito mais do
que em qualquer outra modalidade de aquisição.
Vale a pena atentar-se aos detalhes, pois algumas empresas
condicionam seus testes até mesmo a tubos específicos (que costumam ter o custo
individual maior que o custo total de um exame em outras modalidades de
aquisição).
Em termos práticos, um hemograma em um analisador
hematológico veterinário de 5 partes não costuma passar de R$ 5,00. O mesmo
teste, em modalidade de aluguel, custaria entre R$ 20,00 e R$ 30,00 – ou seja:
um valor de 4 a 6 vezes maior que o valor praticado na modalidade de compra.
Lembra da compra do equipamento sobre a qual falamos anteriormente (normalmente após de 5 anos de aluguel)? Ela já começa a ser comercialmente mais entendida, não é verdade? Com a diferença de R$ 15,00 a R$ 25,00 por cada teste, no final de 5 anos, o valor somado já seria suficiente para a aquisição de um set completo de equipamentos novos para o diagnóstico – isto, sem estar vinculado “pelo resto da vida” a um custo por teste tão alto (e R$ 15,00 a R$ 20,00 de lucro a menos por cada novo teste que vier a ser feito).
Outro ponto importante a ser ressaltado na modalidade
aluguel está na forma como as manutenções são tratadas. Quando tratamos de
manutenção preventiva, temos que entender que ela deve ser feita anualmente
para garantir o bom funcionamento e durabilidade do equipamento, além, é claro,
da acurácia dos exames.
O apropriado é que esses procedimentos sejam feitos
pessoalmente. Nele, devem ser trocados tubos de plástico (de desgaste natural),
filtros (para garantir a limpeza do equipamento), além de revisão e
lubrificação dos componentes mecânicos.
No aluguel, as preventivas presenciais simplesmente não
ocorrem. O resultado disso é um desgaste natural dos componentes do
equipamento, em especial após os primeiros anos de uso. Em se tratando da
compra após 5 anos de aluguel, este é, ainda outro grande alerta. Por não haver
as preventivas no tempo indicado, as intercorrências complexas e de mais alto
custo começam a ocorrer justamente no fim do contrato.
Normalmente, as empresas que trabalham com aluguel “vendem” seus
pacotes de manutenção após o período do contrato por valores entre R$ 600,00 a
R$ 1.000,00 por mês. Um vínculo que se estenderá por enquanto o equipamento for
utilizado e que custará, provavelmente, mais que o valor do aluguel prévio.
“E se eu não quiser pagar pelas manutenções preventivas?”. Bem, neste caso pode ser ainda pior: quando os problemas ocorrerem eles podem vir em sua forma mais grave (e cara), necessitando de manutenção corretiva. É uma situação delicada de se estar e, portanto, merece um olhar cuidadoso e bastante deliberação.