Hoje vamos falar sobre um tema comumente negligenciado no diagnóstico in vitro: a urinálise veterinária. Por ser o resultado do metabolismo do organismo, a urina é capaz de responder perguntas importantes sobre um paciente e, por isto, deveria ser um dos exames mais solicitados pela clínica.
Ele é valioso para diagnóstico, prognóstico e acompanhamento de inúmeras doenças. Engana-se quem pensa que só traz informações sobre sistema urinário; diversos outros são contemplados por esta pesquisa. Sempre que pensamos em urinálise, associamos o exame a problemas renais. Contudo, a testagem da urina pode auxiliar no diagnóstico e acompanhamento de doenças endócrinas, hepáticas, cardíacas e ósseas, dentre outras.
Por esta e outras razões o exame deve ser incentivado e se tornar parte corriqueira dos pedidos de exames e das rotinas laboratoriais das clínicas e hospitais que já o oferecem. Levando adiante o nosso compromisso com o diagnóstico veterinário, em parceria com o Dr Felipe Muniz, grande nome da nefrologia nacional, separamos dicas de boas práticas para exames ainda mais acurados e de qualidade. Confira!
As melhores práticas para a Urinálise Veterinária
I – Utilize sempre amostras de urina frescas (menos de 2 horas), recipientes limpos e secos e homogeneíze o conteúdo corretamente antes de iniciar o teste;
II – Não exponha as amostras de urina à luz solar, pois isso induz a oxidação da bilirrubina e do urobilinogênio e, portanto, leva a resultados artificialmente mais baixos para esses dois parâmetros;
III- Não toque as almofadas de reação das tiras de reagentes com as mãos. Elas devem se manter limpas para evitar contaminação;
IV- Não remova os dessecantes. Coloque a tampa imediatamente e com força após retirar a tira de reagente da embalagem;
V- As tiras reagentes, quando expostas ao ar úmido, por longos períodos (mais de 5 minutos) podem facilmente levar a resultados imprecisos do teste. Não use tiras reagentes vencidas, deterioradas, descoloridas ou enegrecidas;
VI- Não adicione conservantes à urina e evite a contaminação por produtos químicos voláteis;
VII- A tira de teste usada não pode ser reutilizada e deve ser descartada como lixo médico em geral;
VIII- As fitas devem ser armazenadas entre 2°C a 30°C, evitando umidade, luz solar direta ou calor e não devem ser retiradas da embalagem original. Após aberta as tiras continuam estáveis por 3 meses;
IX- O tubo de amostra deve ser superior a 88 mm para que a tira possa ser completamente mergulhada. Caso o volume da amostra seja inferior a isso você pode utilizar o método de gotejamento. Certifique-se que todas as almofadas da tira de urina foram molhadas;
X- A tira de urina deve permanecer na amostra por 2 segundos. Após mergulhar e aguardar dois segundos você deverá remover o excesso de urina secando a tira na borda longitudinal em papel absorvente para evitar a contaminação das almofadas de reagentes adjacentes;
XI- As etiquetas coloridas que estão na parte externa da embalagem da tira são apenas para referência e não para a interpretação do teste. As tiras não se aplicam ao teste visual e devem ser utilizadas em equipamentos próprios para a interpretação;
XII- Em princípio, o diagnóstico ou a terapia não devem se basear apenas em um resultado de teste, mas devem ser estabelecidos no concurso de todos os outros achados médicos;
XIII- O conhecimento dos efeitos dos medicamentos ou de seus metabólitos nos testes individuais ainda não está completo. Em casos duvidosos, é aconselhável repetir o teste após a interrupção de um medicamento específico;
XIV- Grandes quantidades de ácido ascórbico na urina podem produzir de resultados artificialmente baixos a falso-negativos para glicose, sangue, nitrito e bilirrubina;
Quer fazer essas dicas de ouro atingirem ainda mais pessoas? Compartilhe-as com seus amigos e vamos fazer da urinálise veterinária um padrão para a medicina animal no Brasil!
Quer mais uma boa notícia? Traremos uma série de conteúdos incríveis sobre o tema nas próximas semanas. Fiquem ligados!
