Os parâmetros da urinálise veterinária
Cetona
Normalmente este parâmetro está ausente (ou traços) em amostras normais. Caso seja identificado, sua presença nos indica problemas com a ingestão ou com o metabolismo das gorduras e carboidratos.
Diabetes, alterações endócrinas, diarreia, febre,
inanição e baixa ingestão de carboidrato são exemplos de aumento de corpos
cetônicos na urina. Amostras com alta ou baixa densidade podem apresentar
traços neste exame.
Também vale a pena pontuar que urinas altamente pigmentadas (por alimentação ou medicamento) e com grandes quantidades de levedopa podem apresentar resultados falsos positivos.
Leucócitos
Como dito anteriormente, em nossa série especial focada na urinálise, as tiras não realizam análise quantitativa, portanto elas não contam os leucócitos. O que fazem é medir presença de esterases de granulócitos (método químico).
Por isso podemos encontrar resultados positivos mesmo na ausência de células observáveis, se os leucócitos estiverem lisados. Concentrações elevadas de glicose ou alta densidade podem causar resultados faltos negativos assim como o uso de antibióticos. Também: as tiras de urina não reagem com linfócitos e por isso é importantíssima a análise do sedimento para a verificação deste parâmetro.
Nitrito
Assim como a cetona, o nitrito está normalmente ausente nas amostras normais de urina. Este parâmetro é o produto da redução do nitrato presente na urina pela ação de bactérias patogênicas produtoras de redutase e sugere bacterinúria.
Resultados falsos negativos podem ocorrer quando a infecção do trato urinário é causada por bactérias que não produzem redutase, concentrações altas de ácido ascórbico ou tempo curto de retenção urinária (menos de 4 horas).
Já os falsos positivos podem ocorrer quando a amostra é contaminada com material fecal, rico em bactérias redutoras de nitrato. Excluindo-se a contaminação por material fecal, a presença de nitrito na amostra de urina sugere a realização de urocultura.
Urobilinogênio
Este é outro dos importantes parâmetros da urinálise veterinária, e é resultante da redução da bilirrubina conjugada pelas bactérias intestinais e é eliminado na urina em pequenas quantidades. O aumento do urobilinogênio na urina indica hepatopatias e icterícias hemolíticas.
Já a sua diminuição indica obstrução parcial ou total das vias biliares, diminuição da absorção intestinal, nefrites e uso de alguns antibióticos. Alguns medicamentos com coloração vermelha intrínseca, em meio ácido, podem produzir resultados falsos positivos assim como o aumento da temperatura ambiente (o que aumenta a reatividade da tira).
Falsos negativos são observados em amostras com elevada concentração de formaldeído.
Bilirrubina
Normalmente nenhuma bilirrubina é detectável na urina, mesmo pelos métodos mais sensíveis. Mesmo quantidades vestigiais de bilirrubina são suficientemente anormais para exigir mais investigação.
Este parâmetro pode ser causado pelo aumento da produção de bilirrubina conjugada decorrente da hemólise, doenças hepáticas ou obstrução biliar, associadas ou não a disfunção renal.
Alguns constituintes da urina, como medicamentos e indicativos urinários, podem produzir uma coloração amarelada ou avermelha da do papel de teste. Tal coloração pode interferir na interpretação do resultado. Concentrações altas de ácido ascórbico podem causar falsos negativos.
Glicose
Via de regra não há glicose na urina, pois toda ela é
filtrada e reabsorvida pelos túbulos. Para os casos não ideais, a glicosúria tem
diversas causas e pode ser:
- Fisiológia – estresse com liberação de adrenalina e corticoides, aumento na ingestão de carboidratos);
- Farmacológica ou patológica;
- Hiperglicêmica (acompanha a glicose sanguínea) – diabetes, pancreatite, hiperadrenocorticismo, lesões no sistema nervoso central;
- Normoglicêmica (não há aumento da glicose sanguínea) – lesão nos túbulos contornados proximais, síndrome de Fanconi, insuficiência renal aguda e lesões renais causadas por medicamentos ou toxinas.
O teste das fitas urinárias é específico para a glicose e nenhuma substância excretada na urina, que não a glicose, dá um resultado positivo.
Encontramos falsos positivos somente em amostras contaminadas por glicose ou agentes de limpeza, como o hipoclorito e peróxido. O ácido ascórbico e cetona em altas concentrações podem causar falsos negativos.
A reatividade do teste de glicose diminui à medida que densidade da urina aumenta. A reatividade também pode variar com a temperatura.