Estadiamento da DRC de acordo com a IRIS
A sociedade internacional de interesse renal classifica a DRC em 4 estágios, sendo o grau I o inicial e o grau IV o mais severo. O estadiamento da DRC é, por protocolo, baseado inicialmente na mensuração de creatinina sérica ou SDMA em 2 dosagens seriadas.
A IRIS também indica o subestadiamento através da determinação da relação proteína/creatinina urinária (UPC) ou mensuração da pressão arterial. Exames de imagem e obviamente um minucioso exame clínico também são indicados para a determinação da DRC.
O primeiro grau de DRC é determinado pela IRIS com creatinina e SDMA dentro da faixa de normalidade, mas próximos do limite máximo em duas dosagens:
- Creatinina: < 1,4 mg/dl para cães e < 1,6 mg/dl para gatos
- SDMA: < 18 mg/dl
Também são considerados estadiamentos no grau I os gatos que são incapazes de concentrar a urina sem causa não renal identificável, palpação renal anormal, achados anormais em exames de imagem, resultados anormais de biópsia renal e proteinúria de origem renal.
Porém, existem dois gargalos quanto aos marcadores clássicos para a determinação desse primeiro grau, que também é o mais crucial para o diagnóstico e tratamento da DRC.
O problema com a creatinina
O primeiro deles é o fato de a creatinina ter baixíssima sensibilidade para avaliar graus discretos de perda renal. Isto ocorre principalmente por ser um marcador funcional e não celular.
De acordo com vários estudos científicos a creatinina eleva a partir de 65% de comprometimento da função renal. Além disso ela pode sofrer alterações pela massa muscular, alimentação, outras afecções concomitantes e até mesmo por variação individual.
O problema com o SDMA
O SDMA sofre menos interferência que a creatinina, mas é considerado um teste dispendioso e ainda controverso para o diagnóstico do estadiamento I da IRIS. Estudos recentes apontam animais falso positivos para o estadiamento I dentro da faixa superior (14 µg/dl) com exames seriados.
Trabalhos científicos também sugerem um aumento da faixa para a classificação de DRC para 18 µg/dl. Ainda encontramos diversos trabalhos equiparando os resultados da creatinina com o SDMA.
Por todos estes motivos a comunidade científica tem buscado novos parâmetros para a avaliação da função renal, que possam correlacionar-se efetivamente com a TFG, sofram menos interferências extra-renais, sejam práticos e de fácil acesso.
E é neste contexto que a Cistatina C vem sendo estudada e tem mostrado resultados extremamente positivos tanto para o diagnóstico precoce da DRC quanto da IRA.