Exame de reticulócitos

Reticulócitos: quando e por que pedir o exame na veterinária?

Quantos casos de aplasia medular ou insuficiência renal crônica você atende no seu dia a dia? Se você respondeu muitos casos, é importante que você conheça por que razão, em que momento e como pedir a contagem de reticulócitos na veterinária.

Agora, se você respondeu poucos casos e mesmo assim atende muito animais com anemia, há uma série de outros fatores que merecem outras postagens específicas aqui no blog.

Reticulócitos

Os reticulócitos expressam a produção medular de novas hemácias e são um importante parâmetro para auxiliar o médico veterinário no diagnóstico e acompanhamento das anemias arregenerativas (ou não regenerativas) nos casos de aplasia/hipoplasia medular, insuficiência renal crônica, entre outras causas.

Alguns parâmetros dos equipamentos automatizados são indicativos das anemias regenerativas como RDW e VCM aumentados. No entanto, somente a análise do esfregaço sanguíneo pode confirmar estes dados. Na análise qualitativa da lâmina a presença de corpúsculos de Howell-Jolly e/ou policromasia das hemácias são fortes indicativos da anemia regenerativa.

Quando solicitar o exame de reticulócitos?

A solicitação deste tipo de exame deve ser feita quando o médico veterinário desconfia de uma anemia arregenerativa. Nestes casos encontraremos uma anemia normocítica e normocrômica na análise da lâmina e um RDW normal no aparelho automatizado.

Analisadores hematológicos liberam reticulócitos?

Primeiramente, para responder a esta pergunta, precisamos pegar como base de resposta os aparelhos para uso humano mais modernos do mercado. Os que indicam a presença de reticulócitos trabalham com a coloração de azul de metileno em seus reagentes.

Desta forma, o metanol atravessa e membrana celular da hemácia e solubiliza o conteúdo de RNA ribossomal presente no citoplasma. Essa basofilia, associada à acidofilia da hemoglobina produz uma coloração característica conhecida por policromatofilia.

Em seguida, o aparelho detecta a presença de policromatofilia e SUGERE uma contagem elevada de reticulócitos. No entanto, mesmo para humanos, o número de células policromatófilas não pode substituir a contagem manual de reticulócitos. Diversos estudos indicam que somente os reticulócitos humanos nos estágios I, II e III de Heilmeyer têm quantidade suficiente de RNA para produzir policromatofilia.

E quanto aos analisadores veterinários?

Já na medicina veterinária encontramos problemas maiores ainda com relação à automatização da leitura de reticulócitos. Trabalhamos com diversas espécies animais, diversas raças dentro das espécies e condições de idade e fisiológicas diferentes (machos, fêmeas, adultos, filhotes, prenhez) e isto cria um gargalo gigantesco nesta observação.

Um exemplo disso são os gatos que têm dois tipos de reticulócitos diferentes devido a maturação tardia (pode levar 10 dias). Neste caso precisamos contar somente os agregados que são produzidos em 24 horas. Como consequência clara, os aparelhos automatizados não têm capacidade de diferenciar reticulócitos que estão em maturação dos que estão agregados.

Sendo assim, sempre que necessitarmos da confirmação de uma anemia arregenerativa, devemos pedir a contagem manual dos reticulócitos.

Se apenas a contagem manual de reticulócitos é verdadeiramente efetiva, como ela funciona?

Este exame é feito com corante supravital (New Methylene Blue ou Azul de Cresil) que cora o RNA presente no reticulócito. A amostra é colocada juntamente com o corante, que deve ser encubado por 20 minutos para a execução do esfregaço sanguíneo. Devemos contar 2000 hemácias e os reticulócitos presentes. Depois disso devemos fazer a correção do hematócrito para a liberação do resultado do exame.

Concluindo…

Por todos estes motivos não devemos utilizar os resultados da contagem de reticulócitos dos aparelhos veterinários automatizados. Para confirmar o resultado dos reticulócitos sempre solicite o exame manual para o indispensável médico veterinário patologista da sua confiança.

Assim você terá um diagnóstico preciso e um acompanhamento adequado dos seus pacientes.

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